Nicolas
Acho que eu queria muito te odiar, principalmente por tudo que me fez passar. Pelas amizades que me fez perder, por ter me afastado de pessoas que me ajudaram tanto. De ter tentado apagar minha luz, uma luz que demorei eras pra acender. E no fundo do meu coração eu ja sabia disso tudo, e me forçava pra caber na nossa relação, me moldando a todas as suas decepções, que era tantas e tantas que chegava a sufocar, eram os questionamentos sobre as conversas que tinha com minhas amigas, eram as caçadas no meu celular por prints ou fotos de estranhos pra gerar discussões ou eu ter que me lembrar de tudo que eu conversava com as pessoas no trabalho, detalhe por detalhe. Era eu não estar bem, desabafar e levar um: você não vai ser uma boa mãe, era eu ir todo final de semana na sua casa e você tentar terminar comigo porque eu te convidei pra vir em casa no meu aniversário, era eu te contar uma opinião e você fazer de tudo, inclusive me ameaçar pra que eu ficasse com o mesmo pensamento que você, era um dia do nada, você me mandar um texto falando que eu não tinha nada para te oferecer, nem paixão, nem juventude, nem nada. Era você me chamar de anormal por eu ser quem eu era/sou e querer a todo custo afirmar coisas que eu não era. E mesmo diante disso tudo, eu achava que devia aceitar, melhorar, que você valia a pena, mesmo me diminuindo, me ameaçando e me manipulando com términos de namoro, mesmo me culpando sobre tudo, dizendo que era culpa minha a forma que você me tratava. As vezes você me dava algumas migalhas de "amor", me elogiava, me tratava bem, e em outras você me ignorava e me fazia tratamentos de silencio. E o pior de tudo isso, é que todo mundo te achava um bom menino, com seus supostos valores cristãos, seus 7 filhos que você queria ter e seu propósito de ter e viver para a familia, o fato de você ser bonzinho pra todo mundo, e usar palavras difíceis ou até mesmo distorcer coisas pra se fazer parecer o correto de toda situação. Porque me fazia parecer errada, mesmo no fundo eu sabendo que eu não estava e que não era. Você era tão "bonzinho", que quando eu contava de forma natural as coisas que você me fez para pessoas que te conheceram, as pessoas ficavam chocadas e eu me sentia culpada, porque vai que eu estava "inventando" aquelas coisas ou fazendo elas parecerem maiores do que realmente eram. Mas sim, eram verdadeiras e nenhuma delas foram alteradas para parecerem piores. Apenas talvez, meu coração tenha sido tão marcado, tão profundamente marcado, que pra me preencher leve tanto tempo que nesse caminho eu perca as oportunidades de uma boa relação com quem talvez valha a pena. Mas a incerteza desse talvez, não preenche nenhuma das minhas marcas, tanto quanto ficar sozinho faz.
Você com certeza também me salvou, mas também me matou, cortou em pedacinhos e jogou pelo mundo e hoje eu ando por ai, tentando catar e colar todos eles... nenhum tem voltado como antes...
Comentários
Postar um comentário